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Leitura de AS TROIANAS no Letras em Cena

Leitura de As Troianas, de Eurípedes no Letras em Cena no MASP, dia 24 de novembro! Eu li Cassandra, esse personagem fascinante! Obrigada Clovys Torres e Marina Mesquita pelo convite! Elenco incrível! foto © vivian iaki foto © vivian iaki foto © vivian iaki (Fabiana Gugli, Jairo Mattos e Marina  Mesquita) foto © vivian iaki (Fabiana Gugli, Jairo Mattos e Marina Mesquita) foto © vivian iaki foto © vivian iaki

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Estréia a série MOTEL

Estréia a série Motel na HBO!! no dia 3 de dezembro! criada e dirigida pela maravilhosa Fabrizia Pinto!!! Orgulho! Foi um presente ter feito a Zoraide! Matéria do Estadão : MOTEL na HBO    

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Abrindo os trabalhos…

29Nov

Site novo na área, quase dez anos depois do antigo. Pra renovar os votos com a Arte e com minha própria trajetória. Evoé!! Obrigada Ana Peluso, pela sua dedicação e talento na construção do site. Mais uma vez, você arrasou! Relendo o texto de apresentação do site antigo, escrito em 2005, me vejo já tão diferente daquela atriz que começava sua carrreira. O tempo é bastante generoso com os atores! Mas fica aqui o registro, ainda válido e cheio de boas intenções, de um começo de ser atriz.

Quando olho as minhas fotos de infância, agora em retrospecto, posso ver a safadeza da menina que já naquela época sabia ser atriz. Mas disso só fui ter consciência muito mais tarde. A primeira lembrança que tenho do palco e das coxias, dessa confesso não me lembro muito bem. Pelo que eu sei, dançava, sempre dancei, e pra mim isso era tão normal quanto tomar banho, era uma coisa que não se questionava. Mas apesar de nunca ter seguido uma carreira na dança, acho que sempre soube que chamava atenção pelo jeito e pelo charme do movimento de meu corpo pelo espaço, que tinham que ultrapassar a barreira de uma timidez e de uma auto-critica monstruosas. A diversão na escola, pra meu desespero, era ver a turma chamando meu nome e acompanhando em questão de segundos o meu rosto virando fogo de vergonha. A timidez ainda mantenho, e de vez em quando ainda coro com coisa ou outra. Vejo-me como uma personagem de Nelson Rodrigues, quando isso acontece. “Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam”, brincava ele. Mas hoje, diferente de antes, já consigo dar risada de mim mesma. Tive uma infância cheia de fantasia, talvez como qualquer outra criança. Passava horas com minha irmã Isa, criando personagens e fingindo ser outras pessoas, e desde cedo compreendi a necessidade e a função das diferentes personas, em mim e nos outros. Uma verdadeira obsessão! A dissimulação, as segundas, terceiras e quartas intenções no que se diz, os desejos escondidos, aquilo que está por trás, oculto, por debaixo da superfície da aparência. Isso quando não passava um tempão em frente ao espelho, observando as mudanças que aconteciam nos músculos do meu rosto quando decidia assistir-me chorar. Puro artifício e canastrice. O exercício acabava quando o rosto já estava bem inchado, os olhos deformados e a boca gorda. Meu pai e minha mãe sempre fizeram de tudo pra que eu e minha irmã tivéssemos a melhor educação possível, e investiram em todos os desejos das filhas. Diferentemente de hoje, acho que cresci bem longe da televisão, quase não parávamos em casa, fazíamos aulas de tudo. Como diz minha mãe, somos uma família disfuncional como qualquer outra, e quando surgia algum impasse lá em casa, não havia jeito, sempre foi 3 contra 1, as mulheres sempre acabavam vencendo. Sendo filha de um dentista e uma pediatra, não era raro presenciar, na mesa de jantar, o assunto voltar-se pra doenças, anomalias e procedimentos cirúrgicos. Talvez venha dai um pouco da minha hipocondria e a vontade de fazer algo totalmente diferente desse mundo da saúde. Quando entrei pra Escola de Arte Dramática, tive certeza de que essa era minha paixão. Na época cursava Jornalismo na ECA/USP, mas não tinha mais certeza do que queria fazer da vida. Tinha uma tremenda curiosidade pelas coisas, a escola pra mim nunca foi um suplicio, pelo contrario, a matemática me interessava tanto quanto a filosofia, mas percebi no meio da faculdade que a minha expressividade não se traduzia necessariamente em palavra escrita. Escrever pra mim é penoso e sofrido, escrevo muito mais devagar do que penso, e o turbilhão de idéias dentro da cabeça é muito mais interessante do que aquilo que, de fato, coloco no papel. Nos quatro anos de EAD, encontrei pessoas que tinham a mesma paixão que eu, e a mesma vontade camaleônica de expressar-me em muitas. Tive grandes mestres, fiz grandes amigos e parceiros de cena, e tenho muita saudade do descompromisso e do privilegio de se fazer teatro somente pelo tesão e pela necessidade de se fazer. Sem se preocupar com bilheteria, dinheiro, divulgação, patrocínio. Essa visão pragmática da vida artística é realmente uma coisa difícil de se entender. Acho que ainda sou muito romântica em relação a tudo isso. Fiz 31 anos nesse ultimo 21 de julho e petrifiquei. O que quero dizer é que de alguma maneira me assustei com o caminho que escolhi pra mim. Meus Deus, como o que crio é efêmero!!!!! Eu sei o quão ridícula é essa constatação, afinal isso é intrínseco a própria natureza do teatro, mas o fato dele se perder no tempo, de estar preso ao tempo/espaço, diferente das outras artes, que perduram, é pra mim o fascínio, o abismo e a beleza dessa arte. O que acontece nos ensaios, o processo criativo em si, é mais interessante do que aquilo que acontece no palco, na hora da performance . Talvez dai a minha identificação e o meu fascínio pelo trabalho do Gerald Thomas, sempre work in progress, a obra nunca pronta e acabada. Ele é pra mim o artista mais interessante, o mais completo e o mais inconformado que eu conheço. Um gênio no teatro, e nas tantas outras áreas que domina, ele mistura, com sua inteligência e estética únicas, cultura, fantasia e utopia. Eu sei que tenho o privilegio de ser testemunha e parceira nesse seu caótico processo criativo. Tenho trabalhado com ele intensamente nesses últimos cinco anos e espero que a nossa relação ainda de muitos, muitos frutos deliciosos. Uma mistura de paixão, admiração e muito orgulho. Um dia desses, procurando uma foto minha no meio de tantas que guardo das montagens, tive saudade dos meus muitos personagens, das pessoas com quem já trabalhei e das diferentes historias que já vivi. E me deu vontade de reunir num website um registro dessa minha trajetória, com algumas fotos, recortes de jornal e algumas lembranças pessoais de cada processo de criação. Tanta gente pra agradecer... Tenho vontade de fazer ainda muita coisa, com muita gente interessante por ai, tanto no teatro, como no cinema e na televisão. Que venham muitos outros projetos pela frente e muita, muita inspiração! (19 de agosto de 2005)

 
 

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